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terça-feira, 27 de março de 2012

Six Feet Under


Se há serie que vai deixar uma marca na minha vida é esta.
Já vi muitas series, mas esta que me acompanhou ao longo dos últimos meses é sem dúvida a melhor. A série já tem alguns anos(terminou em 2005) e é mais conhecida em Portugal como "Sete Palmos de Terra".
Extremamente bem conceituada pelos críticos e pela audiência (9 no imdb), foi-me recomendada pela minha Kenga Best e mal eu sabia os belíssimos momentos que me ia proporcionar. Devo confessar que o primeiro episódio não me deixou muito impressionado mas conforme ia conhecendo os personagens ia-me apegando a eles e a elas. No final, parecia que os conhecia...
A história circula em torno de uma família disfuncional de Directores Fúnebres e o tema da morte é algo que está muito presente em todos os episódios. Ás vezes é-nos dado um ponto de vista crítico em torno de toda a encenação funerária e outras vezes é explorada a vertente emocional, religiosa, cultural e ideológica que está por trás da morte.
Recomendo a todos e a todas a sua visualização e duvido que alguém fique indiferente. Além do tema da morte vários outros são explorados pela série como por exemplo o impacto da educação das crianças no seu desenvolvimento futuro, a sexualidade, a família, a psicopatologia, as drogas, a homossexualidade e a homoparentalidade.
Além disso, muitos episódios são excelentes momentos de catarse. Devo dizer que vi os três últimos episódios de enfiada e foram quase três horas de choradeira.
Esta é considerada a série com o melhor final de sempre e agora entendi porquê...
Para quem já viu e sabe do que falo, deixo-vos os últimos belíssimos minutos de Six Feet Under para relembrarem...
Para quem não viu, o melhor é nem tocar no vídeo pois vais estragar toda a experiência de ver a série...



Ainda ontem terminei de ver e já sinto saudades da família Fincher...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Marvel LGBT

Longe vão os tempos de censura em que os autores eram proibidos pela Marvel de assumirem que algum personagem tinha uma orientação sexual diferente da heterossexual. Contudo, os criadores do Northstar sempre deixaram pistas e mensagens subliminares até que finalmente em 1992, o Northstar se tornou o primeiro super-herói assumidamente homossexual da Marvel criando uma tempestade de reacções que levou eventualmente ao cancelamento da Bd onde aparecia.
Mais tarde, em 2001 as mentalidades tinham evoluído um pouco e Northstar pôde voltar à ribalta de uma forma mais transparente e integrando-se numa das equipas mais conhecidas da Marvel, os X-Men.
Entretanto, nos 10 anos que se seguiram, diversos outros super-heróis "saíram do armário" e em 2010, Rictor e Shatterstar, dos X-Factor, quebraram mais um tabu ao serem o primeiro casal de homens da Marvel a ser desenhado numa bd a dar um beijo. Algo que desde então tem sido prática recorrente neste casal. :)




Estes passos foram seguidos pouco tempo depois por Karolina Dean e Xavin, membros dos Runaways, que se tornaram assim nas duas primeiras super-heroínas da Marvel a protagonizarem um beijo lésbico. Se bem que, a Karolina já tinha beijado uma outra colega de equipa mas o beijo não foi correspondido, por isso tecnicamente não conta.
Neste casal há que salientar que Xavin é um ser extraterrestre com capacidade de alterar a sua forma física e mudar de sexo (alguém disse transsexual?). Contudo, como Karolina a prefere ver numa forma feminina, é esta a forma que Xavin mantém habitualmente.


Um outro casal que há muito tem causado borborinho é o par Wiccan/Hulkling dos Young Avengers. Muitos criticavam o facto dos dois terem uma relação assumida e estável já de alguns anos na Marvel e nunca terem sido vistos a partilhar um beijo. A situação causava ainda mais polémica quando se via que os seus colegas heterossexuais de equipa passavam a vida enrolados e aos beijos uns com os outros mesmo sem terem qualquer tipo de relação fixa e oficial.
Por seu lado, os autores defendiam que, como os personagens eram adolescentes, a questão era sensível. Contudo, é de notar que que todos os membros da equipa tinham aproximadamente a mesma idade e isso não era problema para os personagens heterossexuais.
Finalmente este ano e este mês, no culminar de uma das histórias mais esperadas dos Young Avengers, Wiccan e Hulkling puderam finalmente partilhar um belo momento de afecto com os leitores que há anos seguiam a sua relação e as suas aventuras.
Para terminar, voltemos ao início, ao Northstar. Apesar de ter sido o primeiro super-herói assumidamente gay da Marvel e apesar de ter sido criado na década de 80, só em 2009 é que teve direito a um namorado, o Kyle. Mas a maré parece mesmo estar a mudar, logo em 2011 os dois foram retratados a partilhar um beijo e Marvel já convidou todos os seus leitores para o próximo grande evento deste casal.



Pois é, futuramente nas páginas de Astonishing X-Men, todos e todas poderemos ver o primeiro casamento homossexual da história da Marvel. Northstar vai mesmo dar o nó!!



Pessoalmente mal posso esperar e fico satisfeito com o rumo que a Marvel está a tomar no que diz respeito à luta contra o preconceito e a discriminação de todas as pessoas LGBT.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Mulher devia ficar em casa...

"A mulher deve poder ficar em casa...de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos"

"O trabalho da mulher a tempo completo, creio que não é útil para País."

Cardeal Português, Fevereiro de 2012



Alguém tem algo a comentar? É que eu por vezes fico tão boquiaberto com as barbaridades deste grupo social que nem sei o que diga...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

I'm lovin it

Como já referi ao longo deste ano tenho estado a trabalhar numa escola secundária. É o último ano do mestrado e o estágio é um dos parâmetros obrigatórios.
Nunca pensei que iria trabalhar numa escola e muito menos dar aulas. Sempre disse que crianças/adolescentes não eram a minha especialidade e muito menos o meu interesse académico.
Contudo, nunca fui um "jogador de equipa" e apesar de ter excelentes colegas fiz questão de escolher um estágio onde estivesse sozinho. Além disso, achei que algo diferente daquilo a que estou habituado iria fazer-me bem.
Na verdade, tudo tem corrido muito bem, a minha orientadora não é psicóloga, é professora de Geografia e apesar de ser uma mulher admirável e por quem me afeçoei muito, nem sempre me pode dar o apoio de que necessito. Principalmente porque tenho estado a acompanhar alguns casos graves e complicados mas, tenho dado conta do recado. E se precisar de ajuda sei que posso recorrer à faculdade para ter aconselhamento.
Além disso, como agora a educação sexual é obrigatória nas escolas, alguns professores têm delegado em mim essa função pois não se sentem preparados e como eles dizem nunca tiveram nenhuma formação sobre o assunto. Claro que com mais de 50 turmas fica difícil eu chegar a todos mas tenho feito os possíveis...
Claro que estas aulas implicam muita investigação de minha parte e muito trabalho em casa. Mas pelo menos eu sei onde procurar informação fidedigna porque infelizmente tenho visto que os adolescentes não estão tão bem informados como a maioria pensa.
A verdade é que tenho total liberdade para organizar as aulas da forma que acho melhor e com os temas que ache mais pertinentes, embora pergunte aos alunos o que eles gostariam de falar na aula seguinte. Também tenho pedido para no fim de cada aula me deixarem num papel anónimo uma dúvida que tenham e como devem calcular tem aparecido perguntas do mais sério ao mais idiota e já muito me tenho rido com aqueles papeis. XD
Claro que nem tudo é perfeito. A escola não tem as melhores instalações e há uma professora em especial que me tem posto os nervos em franja. Não sei se ela pensa que eu sou o escravo dela mas é habitual ela vir a correr ter comigo a dizer algo do género: "Os alunos X querem aula sobre o assunto Y à hora H". Tenho usado o máximo da minha diplomacia para lhe fazer entender que não ando às ordens dela, que tenho de preparar as aulas sobre assuntos novos com antecedência e que o não tenho de estar livre à hora que ela desejar. Mas ela parece não entender por meias palavras...
Além disso, se por um lado dar aulas ao secundário tem sido fácil e agradável, os 9ºs e principalmente os 8ºs tem sido mais problemáticos. Sei que os temas da sexualidade suscitam sempre muito burburinho mas, com duas ou três turmas de cada vez com todos a falar ao mesmo tempo fica difícil. Tenho recorrido à estratégia de me calar e olhar para eles até que se sintam desconfortáveis e se calem também. A estratégia resulta mas habitualmente chego ao final da aula sem ter dado metade do que tinha planeado...
Resumindo e concluindo, está a ser uma óptima e enriquecedora experiência e a maioria dos miúdos parece ter gostado de mim e destas sessões. Só ainda não me habituei a ser tratado por "Stor" ehehheh.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Este nosso Clero tem mesmo a mania...

Antes de mais quero referir que não pretendo com a minha opinião ferir susceptibilidades mas vou expor o meu ponto de vista quanto a esta situação que me causa algum “fastio”.

Hoje à hora de almoço estava a ouvir as noticias quando a polémica da retirada de feriados veio à baila novamente. Numa altura que se considera retirar apenas um feriado nacional, a igreja, em toda a sua mesquinhez, arrogância e prepotência mais uma vez lança o pânico dizendo que se só for retirado um feriado civil então também só se retira um feriado religioso.

Desculpem a pergunta mas, desde quando é que esses senhores têm voto na matéria???

Que eu saiba vivemos num pais Laico onde apesar do catolicismo ser a religião principal nem sequer é considerada a religião oficial de Portugal. Como tal, sou da opinião que os feriados Nacionais deveriam ser mantidos e retirados todos os religiosos do calendário civil. Não sendo católico eu não sou obrigado a deixar de ir trabalhar simplesmente porque uma determinada ceita decide celebrar um qualquer evento.

Além disso, mesmo retirando-se os feriados religiosos do calendário civil tenho a certeza que os clientes mais habituais da igreja continuariam a prestar os seus serviços nas actividades próprias destes feriados sejam elas quais forem…

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Primeira Actualização de 2012

Antes de mais quero desejar um excelente ano 2012 a todos e que alcancem os vossos objectivos.
De facto aproveitei as férias da faculdade e do estágio e fiz também umas férias do blog. Durante os seguintes dias vou regularizar aqui o cantinho porque afinal vi tantos filmes e séries que tenho muito para recomendar.
Entretanto vou ter de voltar a trabalhar seriamente na tese de mestrado que anda meio parada.
Cumprimentos a todos, até breve!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Vale a pena Lembrar

Há muitas pessoas que não concordam com a existência de dias centrados num assunto como por exemplo "O dia da Luta contra a SIDA". Eu concordo e contrariamente ao que a maioria das pessoas faz, vou justificar a minha opinião.
Há quem diga que estes dias não deviam existir porque todo o ano se deve pensar nestas problemáticas. Mas é impossível que todos os dias se pense em determinada coisa, além disso existem tantas problemáticas que, pensar em todas, todos os dias, seria impossível. Com isto não digo que só hoje é que se deve pensar na Luta contra a SIDA, digo sim que, devemos aproveitar este dia em especial para reflectir sobre o assunto e para darmos um pouco de nós à problemática.
Eu vou dar o meu contributo da melhor maneira que posso, é por isso que, a partir de amanha e, na próxima semana, vou estar na escola onde estou a estagiar a dar sessões informativas e de esclarecimento aos alunos. Fiquei também satisfeito por descobrir, enquanto preparava estas sessões, que o número de novos casos de VIH em Portugal desceu este último ano.

Quanto ao meu estágio, estou a adorar, estou inserido num projecto de Promoção da Saúde nas escolas e como sou o único psicólogo do grupo a minha orientadora, que é uma professora do secundário, dá-me total liberdade. Pelo que entendi ela já há muito queria inserir um psicologo no grupo mas as verbas não o permitiam. Sei que tenho uma responsabilidade acrescida pois, nos próximos anos, os estagiários da minha faculdade que para lá forem terão como base o meu trabalho. Mas, modéstia à parte sempre tive confiança nas minhas capacidades e acredito que os meus orientadores da faculdade ao recomendarem-me este estágio, sabiam o que estavam a fazer.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Neste Mundo...

A ignorância é tão grande que dá para rir ao cair no ridículo. Vejam a partir do minuto 1.40.


Adorei este vídeo, principalmente porque de um forma extremamente inteligente critica algumas das reacções típicas dos pais a quando da descoberta da orientação sexual dos filhos.


Entretanto foi aprovada a Seth's Law, na California, que prevê inúmeros projectos obrigatórios nas escolas com a intuito de diminuir o bullying com base em questões como etnia, género, religião, nacionalidade, orientação sexual, etc.... O nome da lei é em homenagem a Seth Walsh, um jovem de 13 anos que se suicidou no ano passado como consequência dos constantes confrontos com colegas devido à sua orientação sexual. Infelizmente não foi o primeiro, nem o ultimo...
Ainda recentemente circulou a noticia da morte de Jamey Rodemeyer, um adolescente Nova Iorquino de 14 anos não viu alternativa senão terminar a sua vida após o martírio diário que enfrentava na escola. Infelizmente as claras pistas que deu nas suas publicações na Internet só foram exploradas e levadas a sério após a sua morte...
Pergunto-me quando isto irá mudar e lamento que faça o que fizer dificilmente conseguirei mudar o mudo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Não há Pílulas para Ninguém!!!

Isto está a atingir proporções ridículas. Agora foi retirada a comparticipação deste método contraceptivo. É que nem toda a gente pode pagar 15 ou 20 euros para ter a acesso a este produto que é uma necessidade básica e passou a ser considerado um luxo a partir deste momento.
Isto, como é claro, vai ter um profundo impacto na forma como se realiza o planeamento familiar. E escusam de me vir com uma de "Há sempre o preservativo" porque, primeiro a pílula tem mais funções do que apenas impedir a gravidez e segundo nem todos temos a mesma "cabecinha" e os estudos mostram que o uso do preservativo é muito mais negligenciado do que a pílula nos casais heterossexuais.
Cheira-me a aumento da gravidez na adolescência e a consequentemente aumento da interrupção voluntária da gravidez....
Não me surpreende que daqui por uns meses, tal como eu tinha previsto, o governo decida fazer um novo referendo para este assunto como consequência do "bang" de abortos...
Mas o que interessa ao povo é simplesmente "pelo menos já não é o Sócrates". Aplausos, está a ser muito mais divertido e animado agora....

sábado, 9 de julho de 2011

Tributo

Encontrei dois vídeos que me pareceram importantes de partilhar.
O primeiro é um tributo a várias pessoas que morreram vitimas do preconceito relacionado com a orientação sexual cujas historias não devem ser esquecidas.
A grande maioria foi assassinada mas existe também um alarmante numero de suicídios relacionados com esta característica, principalmente na faixa etária entre os 14 e os 19 anos. Na minha opinião é algo extremamente preocupante o facto de adolescentes tão novos, não encontrarem esperança, apoio e aceitação neste mundo dito moderno, acabando com a própria vida de forma a terminar com o sofrimento.
A musica que acompanha o vídeo é que é de um mau gosto argumentável...



Para ninguém sair daqui deprimido deixo também um video um pouco mais animado que já foi publicado em vários blogs que eu visito mas que acho muito engraçado.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Simone de Oliveira

Porque ela é provavelmente uma mas actrizes portuguesas que mais admiro decidi colocar aqui esta entrevista sobre ela que é simplesmente fantástica e nos dá uma visão completamente diferente da sua vida. Pessoalmente não gosto do entrevistador, acho que ele não tem o perfil adequado e faz perguntas absolutamente idiotas, mas isso é um mero pormenor.
Aqui fica a entrevista que vale a pena ser vista pois a senhora tem um ideais pessoais admiráveis! :)








quinta-feira, 30 de junho de 2011

Para todos os Gostos

Bem estou de volta ao blog, depois de uns merecidos dias passados no Gerês com amigos e de uma passada pelo parque aquático de Amarante. Talvez partilhe algumas fotos depois, para já voltam as sugestões de filmes.

“The Truman Show” de 1998 é uma brilhante comédia dramática que nos prova mais uma vez que, Jim Carrey tem potencial para fazer papéis complexos e interessantes ao invés dos seus habituais personagens unicamente “idiotas”. O filme já é antigo, mas francamente nunca o tinha visto e conta-nos a história de um homem cuja vida sempre foi um gigantesco “Reality Show” sem que disto tivesse conhecimento.


"Thor" de 2011 está ainda nos cinemas. Vi-o já há algumas semanas e ainda não tinha partilhado aqui. Confesso que temia que as origens mitológicas do conhecido super-herói nórdico transformassem um filme numa paródia ridícula de efeitos especiais. O que de facto não se verificou, tudo foi devidamente adaptado e filme ganhou contornos coerentes, interessantes e com efeitos visuais espectaculares. A nível da trama, na minha opinião não rivaliza com "X-Men First Class", mas vale a pena ser visto.


"Hate Crime" de 2005 trás-nos a historia de Robbie e Trey, um casal prestes a casar-se que vivia numa comunidade perfeitamente aceitante e acolhedora até ao dia que um vizinho homofóbico se muda para a casa ao lado. De um momento para o outro tudo muda quando Trey é violentamente atacado e espancado indo para o hospital em estado de coma. Confrontado com um sistema policial extremamente preconceituoso, Robbie, com a ajuda de familiares e vizinhos, terá de arranjar provas para levar o culpado à justiça. Um filme que nos surpreende continuamente e que no final nos deixa num conflito interno sobre o que faríamos naquela situação...


"Spirit: Stallion of the Cimarron" de 2002. Como não podia deixar de ser sugiro também uma animação. E uma das mais belas depois do eterno "O Rei Leão". Um filme que já vi e revi diversas vezes e que é um exemplo de determinação e de luta pela liberdade. Se um dia tiver filhos, eles vão crescer a ver este tipo de coisas. XD



PS: O Coelhinho já comeu metade das cenourinhas natalícias do povo. Mas eu avisei!! Cá por casa quem votou nele já ganiu em arrependimento e os restantes não perdem por esperar. Cheira-me que no final destes próximos anos de governo, todos os que votaram PSD vão torcer tanto as orelhas que vão ficar uns belos coelhinhos de orelhas murchas e ensanguentadas e sem dinheirinho para as tratar... PIMBA!!!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Metáforas Deliciosas

Não é novidade para ninguém que adoro super-heróis mas, os X-Men são de longe os meus preferidos pois acompanham-me desde que me lembro. Na verdade, não tenho memória da primeira vez que ouvi falar deles, sei que nas minhas memórias mais antigas já os conhecia e foram um factor importante no meu desenvolvimento e na minha adolescência.
Entre muitas outras metáforas, os X-Men representam a comunidade LGBT, algo que eu e os fãs detectamos desde muito cedo e que mais tarde foi comprovado pelos criadores que até ao final do último século foram expressamente proibidos de o fazer ou de admitirem a existência de qualquer super-herói com uma orientação sexual diferente da heterossexual. Felizmente quando o antigo director se demitiu as coisas mudaram muito e para melhor.
Hoje houve uma réstia de tempo e lá fui ver o novo filme, agora é dedicar-me à recta final da faculdade, já só faltam dois trabalhos.


Deixo dois excertos do filme que comprovam aquilo que digo em muitos dos diálogos dos personagens.
O primeiro é a resposta de um dos funcionários de uma organização militar quando abordado sobre o facto de ser um mutante. Encontram alguma semelhança com alguma realidade americana?? Delicioso…



O segundo, é um dos traillers e inclui vários diálogos interessantes.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

3 pontinhos...

1 - Vou começar pela parte agradável deste post, o jantar de blogs na Amadora. Correu da melhor maneira possível, num ambiente descontraído e de diálogo embora marcadamente pautado pelo tema político. Foi óptimo ter oportunidade de falar pessoalmente com algumas pessoas que já não via há algum tempo e conhecer outras pessoas igualmente interessantes que espero reencontrar. Até as bds tiveram lugar na discussão.
Lamento apenas que o Pinguim tenha ficado triste e desmotivado por muitos terem desmarcado à última da hora mas tal como lhe disse, não organizar mais destes jantares devido é essa situação é dar mais importância a quem não esteve do que a quem esteve…
Até porque éramos mais de 30, o que é um número considerável.
De minha parte, foi uma última fuga das obrigações da faculdade. Agora é respirar fundo e preparar-me para a recta final. O que nos trás ao 2º ponto.

2 – Relativamente à minha tese, já escolhi o meu tema, que se vai debruçar sobre as questões da aceitação/rejeição parental face à orientação sexual . Já escolhi os meus orientadores mas fiquei há pouco a saber que um outro personagem escolheu precisamente o mesmo tema que eu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ainda não sei como se vai resolver a questão, vamos ter uma reunião em breve.

3 – Por fim, não podia deixar de tocar na vitoria do PSD que é algo que me ASSUSTA profundamente, ainda mais com a coligação que é…
Eu não sou fã do senhor Sócrates, acho que ele mentiu ao país, que pouco fez para resolver a situação económica e por favor… ninguém quer saber do TGV, criatura…
Mas tenho de dar o meu braço a torcer porque, NINGUEM em tão POUCO TEMPO tinha catapultado tanto o país a nível da sua evolução social como José Sócrates. Somos um pais desenvolvido socialmente graças a ele que destruiu inúmeras desigualdades sociais e injustiças sendo que poucos são os que lhe dão crédito por isso. Mas o tuguinha é mesmo assim… Só dá valor ao que uma pessoa faz mal, o que faz bem é desvalorizado…
Agora estes senhores que lá estão, como não têm poderes mágicos para resolver os problemas económicos vão entreter e distrair o povinho com as questões polémicas que há pouco foram resolvidas. Porque é uma jogada de mestre, fazendo-se agora um referendo para o aborto e depois quiçá por exemplo, um referendo para mudar o nome do casamento de pessoas do mesmo sexo, toda a gente vai andar a falar disso e vão esquecer-se que a verdadeira ameaça económica do pais continua por solucionar… Ou seja se por um lado não avançamos, por outro lado ainda vamos regredir…
Ainda vão ser muitos os que morderão a língua e eu, tenciono estar lá para lembrar de quem é a culpa…

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os "Básicos" de Portugal

Penso já ter referido esta situação mas o Theo tem sempre o azar de lhe perderem as malas. Como tal, a quando da sua última visita, eu e as Kengas fomos passar uns dias a Amesterdão onde ele se veio encontrar connosco antes de vir para Portugal. Como é hábito lá estava ele, sem os seus pertences e teve de andar uns dias por Amesterdão com as minhas roupas. Aliás, podem ver pelas fotos que além do tamanho não ser o ideal (ele é bastante mais alto que eu), as T-shirts de super-heróis também não lhe assentam particularmente bem. ;)

Quando as malas voltaram uns dias depois, foram basicamente deixadas na recepção e vinham em sério mau estado. Como tal, tendo o Theo 11 advogados na família e mais uns quantos amigos, está a decorrer um processo em tribunal no Brasil a solicitar uma indemnização. Tudo leva a querer que vá ganhar até porque ganhou um anterior nas mesmas condições.
Bem, depois da contextualização passemos ao motivo de relevo para este “post”. Uma vez que presenciamos o sucedido, eu e a So, ficamos encarregues de elaborar uma declaração de testemunhas. Escrevemos tudo pormenorizadamente e fomos a uma notária para ser feito o reconhecimento das assinaturas e que nos informou desde logo que, teríamos de ir também ao consulado brasileiro.

Torci de imediato o nariz porque já lá tinha estado uma vez com o Theo e tinha-os achado francamente incompetentes e antipáticos mas lá fui eu no próprio dia. Cheguei lá por volta das 13h e o senhor da recepção informou-me que já estava fechada a secção de autentificação de documentos e que teria de voltar noutro dia entre as 9:30 e as 10:00. Fiquei logo ???????!! Mas que horário de funcionamento tão VASTO!! Não se cansem tanto por favor…
De qualquer forma, lá me levantei cedo hoje e fui ao local. Cheguei por voltas das 09:50, o senhor da recepção deu-me a senha e aguardei na sala de espera até as 11:20!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Agora vem a verdadeira PEROLA desta história:
Estando com uma barba de mais de uma semana e uma olheiras de que dormiu 3 horas, desloquei-me ao balcão, entreguei a senha e desde logo fui cumprimentado pelo funcionário, que era Português, desta forma:
- ESTA SENHA NÃO É VÁLIDA!!! Não vês que falta aqui a hora e a data??? ESTA SENHA ESTÁ CORTADA!!! NÃO SABES COMO É?? NUNCA VIESTE CÁ????
Se estava com cara de sono a expressão mudou de imediato e fiz uma cara que deveria reflectir o meu pensamento que era “Mas conheces-me de algum lado para me falares assim???” . A vontade que me deu era meter a mão pela frinchinha do vidrinho, agarrar-lhe a gravatinha e puxa-la para que partisse o coquinho contra a vidraça. Mas como pessoas inteligentes são educadas respondi:
-Realmente não sei como é, quem me entregou a senha foi o funcionário da entrada e já estava assim. Não tenho culpa de não executarem os vossos procedimentos correctamente.
Possivelmente notando o meu sotaque português retorquiu de imediato mais calmamente:
-Hmmm tá bem, diga lá o que é que quer.
Entreguei-lhe as declarações onde constavam os meus dados pessoais e onde constava que era licenciado em psicologia e de repente eu já era a melhor pessoa do mundo:
-Ahhh Dr. A., desculpe lá a forma de falar, mas sabe que são muitas horas aqui e uma pessoa perde a paciência, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá…

Bem, nem sei por onde começar a minha avaliação. Primeiro eram 11:20???? Estava a trabalhar há quantas horas?? 3 se tanto…
Depois, se está sem paciência, mais vale ficar em casa e ceder o lugar a quem tenha o mínimo de ética profissional. Quer dizer, primeiro quando me percepcionava possivelmente como um brasileiro desempregado tratou-me como uma corja social. Depois como era psicólogo e português já era merecedor de respeito????
Há algo de muito podre na mente de certas pessoas…

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma moedinha, mais uma voltinha...

Voto porque acredito que muitas pessoas morreram e sofreram no passado para que eu hoje tivesse este direito. Voto porque acredito que há muita gente a queixar-se da nossa situação política mas simplesmente nada faz para a mudar, nomeadamente ir votar. Voto, consciente de que quem quer que governe, não vai por artes mágicas salvar o país e como tal, voto sempre naquele que considero ser o menor de dois males (“dois” como quem diz o numero de candidatos que forem).
Mas neste momento estou completamente indeciso… Todos os candidatos me dão uma certa… repugnância.
Estava seriamente a considerar votar no Passos Coelho porque até simpatizava com os ideais do passado do senhor independentemente das suas cores políticas e porque acredito que está na hora de dar oportunidade “aos novos”. Contudo, recentemente soube que ele pretende rever a lei da interrupção voluntaria da gravidez e como estava a comer, na altura, engasguei-me…
Quer dizer, estamos finalmente no caminho da evolução relativamente às questões sociais, de um pais do “Primeiro Mundo” de um pais “Desenvolvido” e agora vamos novamente andar às cambalhotas com um assunto que já deveria estar mais que resolvido!!!!! Mas quando é que vamos sair desta conversa?????????? Ainda admite um novo referendo??? Que RICOS que nós estamos!!!
A Proibição da Interrupção Voluntária da Gravidez é uma das MAIORES e mais BRUTAIS formas de violência contra as mulheres!!! NINGUÉM deve jamais decidir o que determinada pessoa faz com o seu corpo. E NINGUÉM, deve ser obrigado a carregar dentro de si uma vida que não pretende e que como tal vem destinada a vir ao mundo para sofrer….
Com isto, não defendo, como é claro, que o aborto seja usado como método contraceptivo, but shit happens!!! Na verdade todas as mulheres que passam pela experiencia têm apoio psicológico para tomar a sua decisão e este não é de todo um comportamento que nenhuma mulher toma de animo leve ou que repete várias vezes. Aliás os dados estatísticos apoiam isso mesmo…. A maior parte dos abortos neste momento em portugal e no Mundo são casos pontuais.
Claro que acho que deve existir uma lei que regule a situação e que imponha um limite gestativo até ao qual se pode efectuar o aborto. Mas é isso mesmo que temos….
Vai-se mexer outra vez?? Vem lei, tira lei, referenda lei, volta a por… Não sei mesmo onde vamos parar… possivelmente a um pais “subdesenvolvido” que desenvolvido não somos e dizer que estmos “em desenvolvimento” seria mentir…
Não há nada mais urgente para nos preocuparmos além daquilo com que JÁ NOS PREOCUPAMOS NO PASSADO??? E é nisso que portugal gosta de ruminar, no passado…
Somos mesmo pequeninos com p minúsculo….
Enfim, como tal não sei em quem vou votar, talvez faça um quadrado extra e vote em mim!!!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Un Amour à Taire

Como já estão fartos de ler por aqui, sempre me interessei pelas questões da orientação sexual a nível social, histórico e mesmo cinematográfico.
Infelizmente a nível do cinema LGBT, ainda há muito a ser feito. Vejo muitos filmes nesta temática e devo dizer que na minha opinião apenas se aproveita 1 em cada 5. Ou são demasiado estereotipados, ou supérfluos, ou com uns romancezinhos ranhosos que não interessam a ninguém.
Contudo, de quando em vez, surge uma verdadeira Pérola. É o caso de “Un Amour à Taire” ou em inglês “A Love to Hide” de 2005.
Aviso desde já que é um filme pesadíssimo mas que tem de ser visto. Afinal, só se consegue um futuro melhor quando se reconhece os erros do passado. Como tal, preparem-se com uma caixa de lenços de papel porque todos os que já viram o filme admitiram que começaram a chorar a meio e só pararam algum tempo depois do fim…
Na década de 40 em França e em plena guerra mundial, uma família de judeus é emboscada enquanto tentava escapar para Inglaterra. Apenas Sarah, uma das filhas conseguiu por pura sorte escapar com vida. Desesperada, procura a ajuda de Jean um amigo de infância por quem ainda é apaixonada. Nesta altura, Jean esconde Sarah na casa de Philippe, o seu namorado, e a relação dos dois é exposta a Sarah para seu choque. A partir desta altura, os segredos que os 3 tentam desesperadamente esconder começam a ameaçar as suas vidas principalmente depois que Jacques, o invejoso irmão de Jean descobre tudo…
Sem dúvida o melhor filme que vi este ano e que ficará para sempre como um dos filmes da minha vida…


Foi apenas em 2001 que a deportação de homossexuais foi oficialmente reconhecida pelo estado Francês e apenas em 2002 é que o governo Alemão efectuou um pedido de desculpas público à comunidade gay e às famílias das vitimas.
A deportação de homossexuais alemães iniciou-se em 1933 com a ascensão Nazi ao poder, mas depois estendeu-se pelos países anexados e ocupados.
De acordo com o memorial Norte-Americano ao holocausto, 100mil homossexuais foram presos entre 1933 e 1945. Os estudos indicam que 60% da população gay aprisionada nos campos de concentração foi assassinada o que se torna um dado interessante para retirarmos as nossas conclusões quando comparamos com as seguintes percentagens mais elevadas, os 41% dos prisioneiros políticos. Sob a política do Arbeit macht frei ("Libertação pelo Trabalho") nos campos de trabalhos forçados, os homossexuais recebiam os trabalhos mais pesados ou perigosos. Os soldados da SS utilizavam também muitas vezes o triângulo rosa, que os homens gays eram obrigados a usar, como alvo para prática de tiro. Muitos outros morreram às mãos de médicos nazis em experiências "científicas" destinadas a localizar o "gene gay" de forma a encontrar "curas" para as futuras crianças arianas que fossem gays.
Após a guerra, as indemnizações e pensões sociais atribuídas a outros grupos de prisioneiros foram negadas aos homossexuaiss, que continuavam a ser considerados criminosos. Alguns homossexuais foram mesmo obrigados a cumprir as suas penas de prisão até o fim, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

"Pierre Seel, um sobrevivente francês gay do Holocausto, teve a coragem de contar as suas experiências sob controlo Nazi. Quando estes subiram ao poder e ocuparam a sua cidade natal, Mulhouse, na Alsácia-Lorena, o seu nome constava de uma lista de gays e ele foi mandado apresentar na esquadra da polícia. Obedeceu para proteger a sua família de possíveis retaliações. Ao chegar à esquadra, ele e outros homens gays foram espancados. A alguns, que tentaram resistir, foram-lhe arrancadas as unhas. Outros foram violados com réguas de madeira partidas e tiveram os intestinos perfurados, causando graves hemorragias. Depois de ser preso, foi enviado para o campo de concentração de Schirmeck, onde foi forçado a assistir, conjuntamente com os outros prisioneiros em formatura, à execução do seu jovem namorado de Mulhouse que tinha apenas dezoito anos. Steel conta que os guardas o despiram completamente, enfiaram-lhe um balde de metal na cabeça e atiçaram os seus cães pastores alemães, que o morderam até a morte."


Informações retiradas de vários artigos sobre o assunto e do Wikipédia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Para Refletir:

“Tomorrow, When the War Began” de 2010 é um filme australiano baseado nos livros de John Marsden. É maioritariamente um filme de acção sobre 8 amigos que decidiram passar uns dias fora de casa na precisa altura que o seu país foi atacado por forças estrangeiras. Não estava muito expectante na altura em que li a descrição do filme mas a verdade é que gostei bastante. O filme consegue algo raro, que é desenvolver todas as personagens de forma a criar empatia nos espectadores para com cada uma delas. A verdade é que achava todos eles tão “reais” que passei o filme todo a torcer para que não morressem. É importante também salientar as reflexões que são feitas pelos personagens sobre “A Guerra”. Porque não sejamos inocentes, infelizmente “a guerra” faz parte do passado, do presente e do futuro da humanidade…





“Save Me” de 2007 é um verdadeiro “must see”. O filme retrata a vida num centro de “cura” para homossexuais nos EUA. Pelo que conheço do assunto devo dizer que este centro em questão era muito “soft”, baseando o seu programa em orações e reflexões, em contraste com outros que existem que usam terapias com choques eléctricos e outras formas de tortura para expulsar o “mal gay” de dentro das pessoas… Não, não é coisa do passado, estes centros existem mesmo e há várias publicidades espalhadas pela Internet. Já vários estudos comprovaram a ineficácia dos procedimentos e salientam que não existe “cura” para algo que nem sequer é uma doença, contudo o desespero de muitos continua a conduzi-los para estes locais onde não encontram nada mais do que sofrimento psicológico e constantes conflitos internos que foram amplamente explorados neste filme.
Chad Allen é um actor cujo trabalho descobri recentemente em vários filmes e o seu profissionalismo em muito me agradou. Neste filme, interpreta Mark, um toxicodependente que levava uma vida de irresponsabilidade até a altura que uma overdose leva o irmão e a mãe a envia-lo para um destes centros. Sem outro lugar para onde ir, Mark aceita permanecer na instituição e vemos o desenvolvimento dele, o final deixo para vocês descobrirem...
Curiosamente a cena de intimidade inicial do filme é divida com Jeremy Glazer, também um conceituado actor e namorado de Chad Allen há alguns anos. Robert Gant e Judith Light são os actores principais que contracenam com Chad Allen e amigos pessoais do casal na vida real. Na "vida real" os 4 actores são activistas importantes em diversas causas e instituições pelos direitos das minorias, pela igualdade de género, pela luta contra a SIDA, pelo problema do envelhecimento na comunidade gay na inexistência de descendência e de cuidadores familiares (SAGE).





“Atonement” (Expiação????) em português é um filme de 2007 que me foi recomendado pelo Rafeiro Perfumado e que de facto adorei. Conta com a participação de Keira Knightley e James McAvoy nos principais papeis e acompanhamos a história de uma jovem adolescente cuja imaginação fértil e o ciúme a levam a acusar o namorado da irmã de um crime que não cometeu. O resultado prova ser catastrófico e irá desencadear repercussões irremediáveis na vida do casal e das famílias de ambos. Um filme brilhante com um dos fins mais surpreendentes de sempre. Não o vou contar mas acreditem que quando virem não vão acreditar…





"The Laramie Project" é um filme em tom de documentário que reproduz um resumo das mais de 400 horas de entrevista e do julgamento sobre o assassinato de Matthew Shepard. Matthew era um jovem estudante universitário de 21 anos com cerca de 1.60 e 46kg e que foi assassinado por dois outros jovens bem constituídos que alegaram em tribunal que entraram em pânico quando souberam que Matthew era gay e tiveram medo que este tentasse alguma coisa com eles…
Devido a esse “medo” Matthew foi espancado, torturado, e amarrado a uma cerca onde foi abandonado durante mais de um dia enquanto se esvaía em sangue até que um ciclista e uma polícia o encontram, já tarde de mais. Ambos referem que o rapaz estava em estado irreconhecível e que os únicos locais da cara que não estavam cobertos de sangue eram dois finos carreiros por onde as lágrimas tinham corrido…
Este é considerado um dos mais chocantes crimes de ódio dos EUA e foi o responsável pela alteração e criação de leis relativas aos crimes de ódio com o intuito de defender as minorias. Existem diversas instituições de apoio a vítimas de discriminação que se baptizaram com o nome do jovem como forma de homenagem.
O filme é particularmente impressionante pelo discurso dos pais de Matt e pelo discurso de vários habitantes de Laramie, sendo que muitos desculpabilizavam os agressores, culpando Matthew e mesmo alegando que o jovem teve aquilo que merecia pois: "o lugar dos paneleiros é no Inferno…"
O filme conta com a participação de vários actores conhecidos como Laura Linney, Ben Foster, Clea DuVall, Jeremy Davies, Nestor Carbonell e Michael Emerson. Os três últimos coincidentemente voltaram a trabalhar juntos na conhecida série “Lost”.

Por fim deixo um diálogo do filme que nos deixa uma reflexão interessante:

“Então que peça eles vão fazer na escola este ano?”
"Deixa eu ver, 'Angels in America'."
"Espera. Angels in America? Não é aquela peça com aquela cena? Então e vais fazer o teste para participar?"
"Sim, eu vou."
"Mas tu sabes, homossexualidade é pecado. Homossexualidade é pecado."
Mas a melhor coisa que eu sabia que tinha para eles era que eles tinham acabado de me ver pouco antes, no palco em Macbeth. Eu mato uma criança e Lady MacDuff e dois tipos, certo?
Eu, tipo... "Mãe, mãe, eu acabei de interpretar um assassino hoje à noite e tu não viste nenhum problema nisso...”



sábado, 8 de janeiro de 2011

"Coisa"

Hoje tive a frequência mais importante do ano, sim ao SÁBADO. Já desde o secundário que não fazia uma directa para estudar, mas como esta semana foi terrível e eu só tinha aquele tempo para estudar uma grande quantidade de matéria, teve de ser. Munido de um Red Bull e três cafés bem fortes, lá fiquei noite fora…
Depois da frequência estávamos numa sala a discutir as respostas do teste quando sem saber porque motivo, começou-se a falar na morte do Carlos Castro. Nessa altura, uma mastronça do Mestrado de Psicologia da Justiça salta de um qualquer buraco obscuro e estabelece-se o seguinte diálogo:

Mastronça: Isto aconteceu também porque ele era “Coisa”.
Eu: …define “Coisa”
Mastronça: Era “Coisa” tás a ver? Tu sabes…
Eu: Não estou a entender…
Mastronça: Era “Coisa” (acompanhando a palavra com um gesto estereotipado). Era gay pronto. Sou preconceituosa, não posso ser preconceituosa??
Eu: Podes, só estou a dizer isto porque de facto já me chamaram muitos nomes, mas “Coisa” foi a primeira vez…
Mastronça com ar aparvalhado e engasgando-se enquanto falava: Quer dizer, maneira de dizer, não sou preconceituosa, até tenho amigos homossexuais. Não fiques chateado comigo, era forma de falar… Estava a dizer isto porque acho que é mesmo coisa de homossexual levar assim alguém que se calhar mal se conhece para o quarto de hotel…
Eu: Não acho que isso tenha nada a ver com a orientação sexual…
Mastronça: Ai desculpa mas eu acho que tem…
Eu: Não, quantos homens heterossexuais não levam prostitutas ou mesmo uma mulher que tenham acabado de conhecer para um hotel? Não tem nada a ver, mas como tu mesmo disseste “ÉS PRECONCEITUOSA”

A verdade é que depois desta noite, da frequência e da quantidade de cafeína no meu sistema, tinha o meu ressabiamento a pique… Mas independentemente disso, o que é que esta pobre criatura andou a fazer estes anos todos no curso de psicologia. Depois dos professores incutirem constantemente que devemos ser profissionais, evitar juízos de valor e respeitar a diferença… Peço desculpa mas, acho que aquela "cérebro de pássaro" que ainda por cima se gaba de copiar tudo nas frequências, não devia estar neste curso… Com esta forma de pensar, o que é que ela faz quando lhe aparece um “Coisa” à frente no consultório?? Juro que fico indignado e preocupado…
Cada dia concordo mais com as pessoas que dizem que para este curso deveriam existir uma série de pré-requisitos…

Agora vou descansar um bocado que tenho o brain em papa…

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um trabalho

Foi a primeira vez que um professor nos pediu um pequeno trabalho com carácter pessoal. Como esta reflexão até me deu algum gosto, decidi partilha-la:

Vivemos actualmente numa sociedade quantitativa. A qualidade dos seus membros passa a ser classificada de acordo com números e notas que, raramente ou mesmo nunca, traduzem as potencialidades e capacidades individuais. Por estas razões, torna-se fulcral uma análise reflexiva da nossa evolução, dos nossos objectivos e mesmo das nossas capacidades interiores para não cairmos na tendência de nos auto-rotularmos com aqueles mesmos números ou categorias que a sociedade nos tenta impor.
De facto, desde que iniciou a minha formação em psicologia que verifico um sem número de grandes e pequenas alterações na minha pessoa. Verifico-o, muito pela dificuldade que me surgiu na elaboração deste trabalho. Não por não me conhecer, pois acredito que na verdade me conheço até bem de mais na minha vertente pessoal. Contudo, ao longo de toda a minha vida universitária foram-me pedidos trabalhos extremamente objectivos, onde era suposto excluir por completo a minha idiossincrasia, efectuando-os como se eu fosse um ser mecânico, um cientista. Claro que concordo plenamente com esses procedimentos indispensáveis a um bom investigador, independentemente da sua área. Limito-me apenas a apontar a grande e possivelmente única dificuldade que me surgiu durante a elaboração deste trabalho.
Na verdade, sinto que a minha evolução ao longo destes anos foi de tal magnitude que dificilmente consigo comparar-me com o meu “eu” anterior à faculdade. Lembro-me no entanto de me sentir, nos primeiros dias de caloiro, completamente fora da minha “zona de conforto”. Rapidamente todas as minhas expectativas caíram por terra, superadas por algo com dimensões muito maiores do que aquilo que eu imaginava. Afinal, para ser-se psicólogo não bastava dar-se meia dúzia de conselhos baseados numas quaisquer teorias. Não, vim a apreender ao longo destes anos que era algo desmesuradamente mais complexo. Era algo que constantemente punha os nossos valores à prova alterando-os em muitas situações. Era algo com uma ética rigidamente necessária, algo trabalhoso que implicava a assimilação de uma quantidade enorme de conhecimentos, que nos empunha maturidade, algum sacrifício e respeito pelas pessoas e pelas diferenças. Mesmo na vida pessoal, a forma de estar e de reagir foi alterada. Verifico um discurso mais rico, mais elaborado. Um raciocínio com tendência a recorrer sempre à lógica, à razão e à ciência. Uma maior auto-confiança e uma imunidade a falar em público, fruto de dezenas de apresentações e defesas de trabalhos. Verifico até uma tendência dos amigos antigos para recorrerem a mim com perguntas mais sensíveis, admitindo muitas vezes terem um “medo” infundado de eu os analisar por uma vertente profissional ou de invadir a sua privacidade como se tivesse subitamente desenvolvido poderes telepáticos. Mesmo a forma de escrever e os temas de interesse se alteraram. Constato este facto facilmente se recorrer a um “blog” pessoal que mantenho há alguns anos e que traduz uma enorme evolução neste campo desde a sua criação até à actualidade. Importa também referir o grupo extremamente forte de amigos que se formou desde o primeiro ano, que se tem mantido unido facultando sempre entreajuda, apoio, conhecimento, novas experiencias e também o divertimento indispensável a uma vida saudável, ultrapassando em muito os limites da vida na faculdade. Deste modo, é também fácil de compreender que os colegas e professores tiveram um papel de destaque na minha formação pautando-a com momentos marcantes e enriquecedores que sem dúvida serão indispensáveis no futuro.
No entanto, apesar de toda a evolução e de todas as pequenas realizações que alcancei até ao momento, continuo a sentir que ainda existe um longo caminho pela frente, continuo a questionar-me se serei um bom profissional e o quanto ainda posso melhorar. Colocar-me-ia no estatuto de Achievers segundo os estádios de J. Marcia. Tenho as perguntas, e as ferramentas para continuar a minha evolução e é nisso que tenho investido. Existem ainda vários obstáculos que espero ultrapassar durante a minha jornada profissional na área da psicologia. Nomeadamente os meus próprios defeitos, a minha postura demasiadamente relaxada, a minha falta de pontualidade, a preguiça de trabalhar mais, de me esforçar mais, de ser mais… De resto, não temo desafios, não tenho medo de arriscar e de ser posto fora da minha “zona de segurança” e se recorresse ao estudo de William Perry sobre o desenvolvimento ético e intelectual dos estudantes universitários não teria dúvidas em referir que já alcancei uma posição de Investimento/Compromisso. Sinto-me plenamente preparado para seguir esta jornada com capacidade para aceitar várias ideologias alternativas mas investindo nos meus próprios objectivos na busca de uma conduta exemplar, de um contributo para a sociedade e para o conhecimento científico e da realização pessoal e profissional. Mantenho porém, a noção da realidade e sei que o “fantasma” do desemprego e do insucesso paira sobre todos nós. Além de mais, seria extremamente ingénuo se dissesse que não é algo que me deixa ligeiramente apreensivo. Contudo, o mundo é um lugar extremamente grande e não me sinto estritamente preso às fronteiras nacionais. Uma das certezas que eu tenho, é que existem muitos locais com necessidades de formação e de acompanhamento, com necessidade de um psicólogo. É algo que sem dúvida espero poder efectuar ao longo do meu futuro.
É também muito gratificante verificar que este mestrado me está a possibilitar novas e aliciantes perspectivas, impondo-me objectivos desafiantes mas possíveis de alcançar. Inicialmente tive alguma dificuldade em escolher qual a área na qual me queria especializar. Estava extremamente indeciso entre o Mestrado em Psicologia da Justiça e o Mestrado em Psicologia Clínica e Saúde. Por fim, acabei por optar pelo segundo na medida em que considero ser uma área mais abrangente além de extremamente interessante e socialmente útil. Sentia que o Mestrado de Justiça me limitava muito, principalmente se quisesse exercer fora do país. Todavia, a psicologia como ciência que é, não é estanque. Está em constante evolução, crescimento e descoberta sendo imprescindível que eu me mantenha actualizado e acompanhe atentamente o seu desenvolvimento. Assim sendo, consciente de que serei sempre um estudante da área, certamente que mais tarde terei possibilidade de enveredar por outros âmbitos da psicologia incluindo a sua vertente judicial.
Quanto ao Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde, embora na minha opinião apresente algumas fragilidades em questões de organização, está sem dúvida a ser indispensável para consolidar e adquirir informação, para compreender várias novas perspectivas válidas na psicologia, para enriquecer cada dia mais a minha formação e para me fornecer os dados fundamentais que utilizarei para tomar as minhas decisões. Como tal, acredito que este mestrado me ajudou a desenvolver um Raciocínio Reflexivo segundo os modelos de Kitchener e King acreditando que apesar de não existirem certezas universais, o conhecimento pode ser construído de forma gradual com a participação activa do Ser Humano.
Por fim, convém referir que estou extremamente satisfeito com o estado desenvolvimental em que me encontro ambicionando alcançar muitos mais objectivos. Importa também auxiliar na destruição de vários mitos ligados à psicologia. Tais como quaisquer ligações ao sobrenatural, e as ideias de que a psicologia é algo de secundário e pouco necessário ou útil. Na verdade, como ciência que estuda o comportamento, a psicologia é frequentemente a chave para se compreender, explicar, prever e alterar comportamentos ou alcançar determinados objectivos e estados psicológicos mais saudáveis e adaptados. Por outro lado, a noção de que “a psicologia não faz mal a ninguém” é algo também extremamente falacioso. Como na grande maioria das profissões, o “saber fazer” é indispensável. Muitas vezes, uma palavra, um comportamento, ou mesmo um gesto podem direccionar o rumo de vida de uma pessoa a consequências devastadoras. Há que ter sempre em consideração que muitas das pessoas que procuram um psicólogo encontram-se em estados emocionais mais fragilizados e que a consulta psicológica irá exercer grande poder sobre a vida dessa pessoa. Assim sendo, continuo a minha aprendizagem e evolução incessantemente, tendo sempre em mente as palavras de Peter Parker, um dos meus super-heróis de infância, adolescência e adultez: “With Great Power Comes Great Responsibility”.