quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dúvida...

Está a chegar ao fim a saga que começou há uns anos atrás. Este ano se tudo correr bem sou mais um dos muitos licenciados de Portugal. Vou directo para o mestrado com intenção de o terminar e de me fazer ao mundo.
Desde que entrei para o curso sempre pensei em especializar-me em Psicologia Clínica. Mas este semestre tenho uma cadeira chamada Psicologia da Justiça e estou fascinado. Já para não falar que o cadeirão que mais odeio este semestre é Psicologia Clínica. Ora a situação está a dividir-me por completo.
Hoje fiz exame de Justiça e correu-me maravilhosamente ao contrário do que aconteceu em Clínica na semana passada que foi o desastre.
Por outro lado um dos meus professores de Justiça e regente desse mestrado está-me a deixar algo reticente…
O senhor é um psiquiatra de renome que já publicou diversos artigos e livros e eu jamais poria em causa a sua sabedoria em muitas áreas. Contudo existem algumas afirmações que me deixam algo “perturbado”.
Para dar um exemplo, o professor afirma veemente que as pessoas com tatuagens, piercings ou rastas têm um QI abaixo da média. Eu não possuo nenhum dos três simplesmente porque não me identifico mas, falho em encontrar relação entre uma coisa e outra. Estatísticas à parte, uma das primeiras coisas que aprendi no meu curso foi a não generalizar e que cada caso é um caso. Não sou adepto de andarmos a rotular as pessoas só porque apresentam determinada característica. Até porque, quando rotulamos alguém, inserimos essa pessoa num grupo estereotipado que fermenta a formação de preconceitos. Como tal, compreendo que colegas que têm pelo menos uma destas características se sintam ofendidos e diminuídos quando, quem sabe se formos a ver, até têm um QI bem acima da média.
Uma outra situação que me incomoda é o facto de estar constantemente a dizer que na nossa idade somos uns frasquinhos de vidro com nariz empinado e que sempre tivemos os pais a dar-nos tudo. Eu só me pergunto se ele por alguma arte mágica conhecerá a história de vida de cada uma das pessoas naquela sala. Eu e muitos outros colegas nunca tivemos nada de mão beijada e acreditem que lutamos muito para chegar onde chegamos. Não foi nada fácil e eu pessoalmente tive de superar vários obstáculos. Sei que seria impossível viver sem os meus pais neste momento mas a verdade é que desde muito cedo que trabalho e estudo para ter a minha independência e não os sobrecarregar com as minhas despesas. Todas as pequenas coisas que me orgulho de ter feito ou alcançado, os sítios que visitei e os pequenos bens materiais que possuo foram fruto do meu trabalho… não me vieram parar á mão por obra e graça do espírito santo…

12 comentários:

Theo.. disse...

Sabes que hoje mesmo andava eu a pensar, já que apanhei o autocarro errado e tive que andar quilômetros a pé tive tempo para pensar. Outro dia vi um programa de entrevistas do tipo David Letterman em que estáva lá um gajo que tem um posto semelhante ao presidente da ILGA só que de um estado cá do Brasil estava ele a falar sobre homossexualidade e ele por incrível que pareça afirmou acreditar que existem ex-gay, hoje pus-me a pensar nisso e cheguei a conclusão que nós mesmos nos pusemos num saco e nos chamamos homossexuais diferenciando-nos dos outros. Será que não somos simplesmente seres sexuais (o que colocaria toda a população num saco só) alguns sente-se atraídos por homens, outros por mulheres, outros pelos dois, outros por nenhum ou por árvores, animais... O que quero dizer eh que é realmente muito injusto tentar classificar as pessoas, somos todos iguais e ao mesmo tempo todos diferentes acho que é por essa afirmativa ser tão ampla e vaga que tentamos achar uma forma de interpretá-la e acabamos colocando-nos em caixinhas numa imensa prateleira.

So disse...

sabes meu querido... aquele senhor, não duvido eu que seja muito competente no seu trabalho, alem de ser simpático, mas na realidade as estatísticas não ditam tudo, e muito menos se deve distribuir preconceito como ele o faz nas aulas muitas vezes. uma coisa eh dizer que eh mais frequente tal, outra eh estar constantemente a bater no ceguinho (se fosse na ceguinha ainda va, mas pronto)... outra coisa que ele me faz pensar eh que se começarmos a rotular as pessoas por tudo e as colocarmos em grupos segundo esses rótulos, acabamos por chegar ao ponto em que cada um eh o único membro do seu grupo, o que ainda mostra mais que as pessoas são idiossincráticas e todas iguais nas suas diferenças.
estas coisas ah parte, como tu sabes, não vai ser isso que me vai impedir de seguir o meu sonho da psicologia da justiça, mais que não seja, pra um dia mais tarde estar eu a contrariar as estatísticas com conhecimento de causa. Espero que tomes a melhor decisão para ti, sei que é difícil, mas acredito que, como sempre vais seguir o melhor caminho. Podes contar comigo sempre. E ja tens uns primeiros passos delineados para ajudar nessa decisão. gosto de ti meu querido
beijinho*

So disse...

ah... so pra dizer que eu nao tinha lido o post do theo lol
great minds think alike =) tb te adoro theozinho =)

k disse...

Psi:
http://soprales.blogspot.com/2009/10/november-moon-1985.html
Depois é só converteres de rmvb para avi. há programas grátis que fazem essa conversão.
O outro arranjei-o por intermédio do dreamule ou emule já não me recordo bem.
O Bent arranjei aqui: http://gayload.blogspot.com/
Depois de leres é melhor apagares esta mensagem, não vão dar com ela e bufar os blogues.

ψ Psimento ψ disse...

K: Por acaso já conhecia o 2º foi la que encontrei o bent. Os outros também já estão a chegar :p

paulofski disse...

Olha, não digo que o dito senhor até tenha um pinguinho de razão mas certamente que neste vasto universo populacional, muitos louros, carecas, de olhos castanhos, tementes a algum Deus, e que nunca os tenha visto mais gordos, terão também um QI baixíssimo mas bem acima do que o dito senhor demonstra ter. Ahhh… e como eu também não optei por nenhuma dessas três características físicas, certamente não é por isso que me julgue mais ou menos inteligente do que quem quer que seja!

Na dúvida segue-se o que parece mais certo.

Luís disse...

Os caminhos encontram-se e vão-se fazendo. Estou certo que quem pensa como ψ Psimento ψ não terá dificuldade em encontrar os seus e seguir em frente.

Angelo disse...

Bem, boa sorte para isso tudo. E se gostas de Justiça, butes lá!

Quanto ao prof generalizar e tudo mais, devias dar o teu exemplo e explicar porquê que ele está errado! Uma vez fiz isso com uma prof de alemão que, do alto do seu catolicismo ortodoxo, dizia que o amor é que era importante e que nós só queríamos era saber do dinheiro... Até que lhe contei a minha história e ela calou-se!

X disse...

Na escolha não te posso ajudar muito apenas dar um conselho: põe as opções numa balança e usa uma parte do coração (o que gostas mais) e outra da razão (o que terá mais saída) e depois toma ua decisão...

Acabei de ouvir uma auto-proclamada "supra-suma" que é a pessoa mais incompetente por isso nem consigo comentar a parte do professor...
Haja paciência!

Abraço

Teté disse...

Há pessoas que são uma sumidade em certas matérias, mas cujo raciocínio falha noutras mais comuns e triviais. Um professor que afirma uma barbaridade dessas, só demonstra uma coisa, vá lá duas: primeiro, que têm o cérebro inundado de preconceitos; segundo, que tem alguma incapacidade de socializar com as outras pessoas em geral, e os alunos em particular. E também se pode chegar à conclusão que usa uma agressividade gratuita.

Por outro lado, os psiquiatras são pessoas como as outras, com defeitos e qualidades. Em tempos pedi um comentário (técnico) a um conceituado psiquiatra, e quando ele soube que era para publicar num jornal tido como de direita, disse que não porque ele era de esquerda (o tema abordava psiquiatria, não tinha nada de político)! Claro que estava no seu direito, mas levanta a questão de saber se ele escolhe/trata os seus pacientes consoante as suas filiações políticas... ;)

Beijocas!

Blog Liker disse...

Os académicos adoram mandar essas frases sumptuosas para o ar... que de científicas têm muito pouco, mas ajuda-os a manter a autoridade e uma certa popularidade.

Houve muitas coisas que gostava e deixei de gostar muito por culpa dos professores da universidade, que tiraram o brilho às coisas. Por mais que queira, há realidades que, para mim, ficaram estragadas.

Abraço.

Diabba disse...

Ehhh lá, tenho um piercing e uma tatoo (mesmo, a sério), se calhar é melhor ir ver o QI, a última vez que me fizeram um teste deu 120 (normal, disseram-me), queres ver que agora deve andar pelos 80?? (a tatoo e piercing têm anos, portanto chegará o tempo em que terei 0 de inteligência, esse teu prof deve ter uma teoria qualquer a dizer "e quantos mais anos essas coisas tiverem pior, a inteligência esvai-se pelos buracos) hihihihi
E, claro, o teu prof. nunca foi aluno nem teve 20 anos, portanto nunca foi "um vidrinho" quando nasceu já tinha emprego á espera e tudo... fucka-se, as gerações mudam, alguns profs continuam iguais, sejam lá quais forem as cadeiras que leccionem!

enxofre