sábado, 8 de janeiro de 2011

"Coisa"

Hoje tive a frequência mais importante do ano, sim ao SÁBADO. Já desde o secundário que não fazia uma directa para estudar, mas como esta semana foi terrível e eu só tinha aquele tempo para estudar uma grande quantidade de matéria, teve de ser. Munido de um Red Bull e três cafés bem fortes, lá fiquei noite fora…
Depois da frequência estávamos numa sala a discutir as respostas do teste quando sem saber porque motivo, começou-se a falar na morte do Carlos Castro. Nessa altura, uma mastronça do Mestrado de Psicologia da Justiça salta de um qualquer buraco obscuro e estabelece-se o seguinte diálogo:

Mastronça: Isto aconteceu também porque ele era “Coisa”.
Eu: …define “Coisa”
Mastronça: Era “Coisa” tás a ver? Tu sabes…
Eu: Não estou a entender…
Mastronça: Era “Coisa” (acompanhando a palavra com um gesto estereotipado). Era gay pronto. Sou preconceituosa, não posso ser preconceituosa??
Eu: Podes, só estou a dizer isto porque de facto já me chamaram muitos nomes, mas “Coisa” foi a primeira vez…
Mastronça com ar aparvalhado e engasgando-se enquanto falava: Quer dizer, maneira de dizer, não sou preconceituosa, até tenho amigos homossexuais. Não fiques chateado comigo, era forma de falar… Estava a dizer isto porque acho que é mesmo coisa de homossexual levar assim alguém que se calhar mal se conhece para o quarto de hotel…
Eu: Não acho que isso tenha nada a ver com a orientação sexual…
Mastronça: Ai desculpa mas eu acho que tem…
Eu: Não, quantos homens heterossexuais não levam prostitutas ou mesmo uma mulher que tenham acabado de conhecer para um hotel? Não tem nada a ver, mas como tu mesmo disseste “ÉS PRECONCEITUOSA”

A verdade é que depois desta noite, da frequência e da quantidade de cafeína no meu sistema, tinha o meu ressabiamento a pique… Mas independentemente disso, o que é que esta pobre criatura andou a fazer estes anos todos no curso de psicologia. Depois dos professores incutirem constantemente que devemos ser profissionais, evitar juízos de valor e respeitar a diferença… Peço desculpa mas, acho que aquela "cérebro de pássaro" que ainda por cima se gaba de copiar tudo nas frequências, não devia estar neste curso… Com esta forma de pensar, o que é que ela faz quando lhe aparece um “Coisa” à frente no consultório?? Juro que fico indignado e preocupado…
Cada dia concordo mais com as pessoas que dizem que para este curso deveriam existir uma série de pré-requisitos…

Agora vou descansar um bocado que tenho o brain em papa…

16 comentários:

Theo.. disse...

Como tu mesmo dissestes não sei o que esse cérebro de pássaro anda a fazer no curso de psicologia. Sou da opinião que o aluno eh que faz o curso e não o contrário, somos nos que nos formamos que temos que buscar o conhecimento e essa pelos vistos passou os dias a ver as tardes da Julia e a literatura devia ser só revistas de fofoca. Eh realmente preocupante saber que ela um dia vai se deparar com uma "coisa" no consultório. Pobre criatura... Participou da tua revolta e eh realmente triste e preocupante "algo" como ela exercer a profissão. Sim Pq se somos "cioso" essa pessoa só pode ser "algo". Algo que se julga psicóloga.

pinguim disse...

Essa "gaja" é mais que preconceituosa; é perfeitamente estúpida!!!
Não tenho pachorra para gentalha dessa laia.
Respondeste-lhe bem.

Myke disse...

a frequência correu bem?
Costumava ter exames até nos feriados.! Belos tempos os que passaram e os que correm...sobre atua colega...quanto gostava eu de a por no ligar dela.
Se gostava!

Speedy disse...

estou como o Pinguim. Coisa é ela, ser mais ignóbil e mal formado. Um abraço e bons sonhos :)

Mike disse...

Põe mastronça nisso! Essa tipa é daquelas que apetece dar estaladões até nos cansarmos.
Estúpida.
Hoje de tarde, quando fui beber café depois de almoço, tive que ouvir idéias de iluminados sobre o assunto. Ignorantes.
Abraço.
E bom descanso.

Blog Liker disse...

O que me deixou mais preocupado/surpreendido foi o facto de ela ser estudante de Mestrado de Psicologia da Justiça. Sublinhe-se a última palavra.

Enfim, mas creio que com a tua lição ela irá pensar duas vezes antes de tecer qualquer comentário do género no futuro.

Um abraço e bom descanso!

Teté disse...

Nunca simpatizei com o Carlos Castro e o seu dito "jornalismo" - que mais não era que uma sucessão de intrigas sobre a vida de algumas dondocas e "estrelas" televisivas, muitas vezes sublinhado com um "cala-te boca" ou "se eu dissesse tudo o que sei" e outras frases lapidares do género - mas acho que ninguém merece ser assassinado! E concordo contigo: a questão da homossexualidade não tem nada a ver! Quantas mulheres foram assassinadas no ano passado pelos companheiros? Da última vez que vi os dados, em meados de Novembro, já eram 39, fora outras vítimas associadas (pessoas que as tentaram defender)!

Infelizmente, também encontramos mastronça/os dessa/es todos os dias! Não só em Psicologia, como até em Psiquiatria. Fico sempre a pensar que raio de profissionais são ou serão, quando encontram pela frente um alvo dos seus preconceitos... :s

Beijocas e boa sorte para a nota na frequência! :)

ψ Psimento ψ disse...

Theo: Sim ela na minha opinião não prima pela inteligência, algo que já tinha concluído pelas suas participações nas aulas…

Pinguim: Então ontem é que estava mesmo sem paciência ehehhe.

Myke: Ah os feriados é que não me apanhavam lá de certeza. Até não correu mal mas eu tenho um problema grave… Não consigo deixar nada de nada por fazer o que por vezes me prejudica quando há questões de escolha múltipla ou de verdadeiro ou falso em que por cada errada se desconta uma certa que foi o caso.

Speedy: Neste aspecto só é mal formada porque quer. Já teve muito tempo, mas quando as pessoas são limitadas…

Mike: É sempre assim agora não vamos ouvir falar noutra coisa…

Blog Liker: Enfim, felizmente pelo que conheço daquele mestrado se não é a única com estas ideias estranhas será uma das muito poucas.

Teté: Eu também não era fã. Aliás tal como tu também não gostava muito dele ou do trabalho dele embora isso não desculpabilize, nem sequer minimamente, o que foi feito. O que me irrita em toda esta situação é que se calhar o assassinato nem teve nada a ver com sexo. Mas pronto, como era homossexual, já tem de estar envolvida alguma coisa relacionada com a sua orientação sexual…

Cumprimentos a todos.

So disse...

lol, ano me tinha dado conta de que lhe tinhas dito que também eras "coisa" lol
aquela personagem é, como muitas outras no nosso curso, uma carta fora do baralho...
como tantas vezes comentamos, chego muitas vezes a ter vergonha das pessoas com quem me cruzo nas aulas, pensar que tenho o mesmo curso que elas. Infelizmente, como tu dizes, não existem critérios que impeçam estas mentes brilhantes de ingressar, e custa.me a perceber como, ao contrario de nós, não conseguiram aprender nada, nem mudar nada, depois de tantos anos a estudar esta ciência. Deve ser porque esse tipo de aprendizagem não se pode simplesmente copiar!

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Olá Psi

Obrigado pelo comentário. Desta vez respondi por ser o aniversario do blog :)

Vamos agora ao teu: é exactamente o que dizes, ou seja, como teria/terá ela uma relação "neutral" e quase meramente técnica, se deixar que as suas tendências opinativas ou de valor se sobreponham?

Uma vez um amigo perguntava-me exactamente isso: como exerceria psicologia clínica com um homossexual que lhe aparecesse! A resposta foi simples: a relação exsitente entre ti e o paciente/cliente/doente (agora existem várias terminologias sendo uma delas "vida"...) é uma não-relação. A Psicoplogia é amoral e caber-te-á orientar e identificar os mecanismos psicologicos que obstruem a capacidade do paciente ser feliz, independentemente de concordares ou nao com o estilo de vida, do modo, do como ou do porquê. Tal como a um obstectra não cabe ajuizar moralmente uma prostituta mas receitar-lhe os tartamentos mais eficientes no caso de estar doente.

A resposta que deste à mastronça (e quantas não há por aí) é precisamente essa: nao tinha a ver com a orientação sexual, não obstante a promiscuidade mental e física que reina de forma diferente no mundo gay, mas que também nao teve a ver, aparentemente, com isso. Pessoalmente estou convicto tratar-se apenas de mais um sociopata, já que tem todas as características tal nas doenças assintomáticas.

O Carlos Castro a mim nao me dizia literalmente nada, que nao apenas mais um jornalista, mas quando se sabe destas coisas, nem que seja com um anónimo é sempre de lamentar, como é óbvio, sobretudo se na maior parte dos casos a s vítimas pareciam ser pessoas de bom coração, o que adensa o sentimento de algums consternação.

Abraço

ψ Psimento ψ disse...

So: Disse lol, saiu-me!!
Felizmente é no teu Mestrado, só tenho poucas aulas com ela :p
E como sabes, já antes disto não simpatizava com a mastronça.
Beijos Gorda

Lobinho: De facto acho que o conselho que lhe deste não terá sido o mais acertado. Devias ter-lhe dito que se não conseguisse lidar com a situação devia encaminhar o paciente para outro profissional. Uma das primeiras coisas que aprendi neste curso foi que quando achamos que não vamos conseguir mais vale encaminhar que fazer asneira.
Acho também que há muitas coisas que reinam no “mundo gay” mas a promiscuidade não reina mais do que no “mundo hetero”. Para além do facto de no contexto das orientações sexuais a palavra “mundo” não me parecer adequada pois cria uma separação que não tem razão de existir.
Não conheço o rapaz mas duvido que se trate de um sociopata. É difícil esconder os sintomas dessa perturbação e normalmente o indivíduo tem um largo histórico de desrespeito pelas normais sociais ao longo da infância e adolescência, o que não me pareceu o caso pelo que se fala do rapaz.
Abraços

Daniel Silva (Lobinho) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Silva (Lobinho) disse...

Olá de novo, Psi!

Ele perguntava-me como lidar com um paciente que o procurasse; não lhe podia dar a resposta que preconizas porque a situação era diferente. Não se tratava de (nao)saber como exercer psicologia clínica, mas como reagir se lhe aparecesse uma pessoa homossexual, e obviamente que hoje lhe daria o mesmo conselho: cuidar da ajuda terapêutica necessária independentemente da orientação sexual. Ele perguntava por um caso isolado que lhe pudesse acontecer, naom pelo exercício em si da profissão. SE a questão se colocasse em termos que ele entendesse de continuidade, aí sim, deveria encaminhar para um colega; mas faze-lo na primeira abordagem seria um atestado de incapacidade a si mesmo.

Sobre o rapaz do caso C. castro, eu queria dizer psicopata; como bem deves saber (se bem que nos sociopatas acontece também muito isso) são as pessoas mais certinhas, mais queridas, mais bem vistas pelos vizinhos, amigos e familiares, aquelas que deixam todos de boca aberta com actos tresloucados. E o problema reside aí. Como claramente é este caso e tantos outros que deixa meio mundo por haver tudo menos indícios!
Independentemente do que se passou ali e do gap geracional, mais ciúmes e dinheiro, é este tipo de pessoas o que mais existe: sem nada que indicie seja o que for que de um momento para o outro fazem tudo. Como o violador de Telheiras ou os abusos sexuais de menores entrev familiares tido como pessoas de bem e altamente insuspeitas na conduta... Porque uma das caracteristicas é também a inteligência... Uma pessoa nao serve de nada se for apenas inteligente; necessita de formaçºao humana que requer sensibilidade. Qualquer inteligente por si só é bruto; uma pessoa com sensibilidade pode ter uma inteligência emocional (e nao apenas cognitiva) que os primeiros nao têm...

Abraço

um coelho disse...

Infelizmente gente estúpida há em todas as áreas e todas as profissões. Temos o defeito de pensar que os padres não pecam (hoje em dia não tanto), que as empregadas da limpeza têm a casa sempre limpa e que os psicólogos são pessoas inteligentes e sem preconceitos. É triste, mas é a realidade, na tua área, tal como na minha e em todas as outras, há os bons e os maus profissionais. Corroi-me só de pensar que gente tão estupida pode ter um papel tão importante na vida de terceiros!

Esme disse...

Cono é k é possivel nao me teres contado este episodio deprimente? Kem é afinal a pexoinha sem cultura e conhecimento nenhum da sociedade? E ainda para mais saiu-t akela frase de lhe dizeres de ti...mas duvidok a tipinha tenha reparado tb..
por favor...k pexoinhas mais "coisa".. ve la se me poes mais a par deste acontecimentos..agora longe de voxes nao posso participar nessas discusoes acesas..

bjinho meu king

Aproveita bem as férias :D

ψ Psimento ψ disse...

Lobinho: Agora compreendi muito melhor o teu ponto de vista.

Um coelho: Infelizmente estereótipos e preconceitos é algo que nem os psicólogos se conseguem desprender. O problema é que há alguns que nem tentam.

Esme: Ela ouviu bem o que eu disse que ficou toda embasbacada. Dizia-te que da próxima vez que nos virmos falamos no assunto no entanto já falamos antes de eu escrever isto ehehehhe.

Cumprimentos a todos.