segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Para Refletir:

“Tomorrow, When the War Began” de 2010 é um filme australiano baseado nos livros de John Marsden. É maioritariamente um filme de acção sobre 8 amigos que decidiram passar uns dias fora de casa na precisa altura que o seu país foi atacado por forças estrangeiras. Não estava muito expectante na altura em que li a descrição do filme mas a verdade é que gostei bastante. O filme consegue algo raro, que é desenvolver todas as personagens de forma a criar empatia nos espectadores para com cada uma delas. A verdade é que achava todos eles tão “reais” que passei o filme todo a torcer para que não morressem. É importante também salientar as reflexões que são feitas pelos personagens sobre “A Guerra”. Porque não sejamos inocentes, infelizmente “a guerra” faz parte do passado, do presente e do futuro da humanidade…





“Save Me” de 2007 é um verdadeiro “must see”. O filme retrata a vida num centro de “cura” para homossexuais nos EUA. Pelo que conheço do assunto devo dizer que este centro em questão era muito “soft”, baseando o seu programa em orações e reflexões, em contraste com outros que existem que usam terapias com choques eléctricos e outras formas de tortura para expulsar o “mal gay” de dentro das pessoas… Não, não é coisa do passado, estes centros existem mesmo e há várias publicidades espalhadas pela Internet. Já vários estudos comprovaram a ineficácia dos procedimentos e salientam que não existe “cura” para algo que nem sequer é uma doença, contudo o desespero de muitos continua a conduzi-los para estes locais onde não encontram nada mais do que sofrimento psicológico e constantes conflitos internos que foram amplamente explorados neste filme.
Chad Allen é um actor cujo trabalho descobri recentemente em vários filmes e o seu profissionalismo em muito me agradou. Neste filme, interpreta Mark, um toxicodependente que levava uma vida de irresponsabilidade até a altura que uma overdose leva o irmão e a mãe a envia-lo para um destes centros. Sem outro lugar para onde ir, Mark aceita permanecer na instituição e vemos o desenvolvimento dele, o final deixo para vocês descobrirem...
Curiosamente a cena de intimidade inicial do filme é divida com Jeremy Glazer, também um conceituado actor e namorado de Chad Allen há alguns anos. Robert Gant e Judith Light são os actores principais que contracenam com Chad Allen e amigos pessoais do casal na vida real. Na "vida real" os 4 actores são activistas importantes em diversas causas e instituições pelos direitos das minorias, pela igualdade de género, pela luta contra a SIDA, pelo problema do envelhecimento na comunidade gay na inexistência de descendência e de cuidadores familiares (SAGE).





“Atonement” (Expiação????) em português é um filme de 2007 que me foi recomendado pelo Rafeiro Perfumado e que de facto adorei. Conta com a participação de Keira Knightley e James McAvoy nos principais papeis e acompanhamos a história de uma jovem adolescente cuja imaginação fértil e o ciúme a levam a acusar o namorado da irmã de um crime que não cometeu. O resultado prova ser catastrófico e irá desencadear repercussões irremediáveis na vida do casal e das famílias de ambos. Um filme brilhante com um dos fins mais surpreendentes de sempre. Não o vou contar mas acreditem que quando virem não vão acreditar…





"The Laramie Project" é um filme em tom de documentário que reproduz um resumo das mais de 400 horas de entrevista e do julgamento sobre o assassinato de Matthew Shepard. Matthew era um jovem estudante universitário de 21 anos com cerca de 1.60 e 46kg e que foi assassinado por dois outros jovens bem constituídos que alegaram em tribunal que entraram em pânico quando souberam que Matthew era gay e tiveram medo que este tentasse alguma coisa com eles…
Devido a esse “medo” Matthew foi espancado, torturado, e amarrado a uma cerca onde foi abandonado durante mais de um dia enquanto se esvaía em sangue até que um ciclista e uma polícia o encontram, já tarde de mais. Ambos referem que o rapaz estava em estado irreconhecível e que os únicos locais da cara que não estavam cobertos de sangue eram dois finos carreiros por onde as lágrimas tinham corrido…
Este é considerado um dos mais chocantes crimes de ódio dos EUA e foi o responsável pela alteração e criação de leis relativas aos crimes de ódio com o intuito de defender as minorias. Existem diversas instituições de apoio a vítimas de discriminação que se baptizaram com o nome do jovem como forma de homenagem.
O filme é particularmente impressionante pelo discurso dos pais de Matt e pelo discurso de vários habitantes de Laramie, sendo que muitos desculpabilizavam os agressores, culpando Matthew e mesmo alegando que o jovem teve aquilo que merecia pois: "o lugar dos paneleiros é no Inferno…"
O filme conta com a participação de vários actores conhecidos como Laura Linney, Ben Foster, Clea DuVall, Jeremy Davies, Nestor Carbonell e Michael Emerson. Os três últimos coincidentemente voltaram a trabalhar juntos na conhecida série “Lost”.

Por fim deixo um diálogo do filme que nos deixa uma reflexão interessante:

“Então que peça eles vão fazer na escola este ano?”
"Deixa eu ver, 'Angels in America'."
"Espera. Angels in America? Não é aquela peça com aquela cena? Então e vais fazer o teste para participar?"
"Sim, eu vou."
"Mas tu sabes, homossexualidade é pecado. Homossexualidade é pecado."
Mas a melhor coisa que eu sabia que tinha para eles era que eles tinham acabado de me ver pouco antes, no palco em Macbeth. Eu mato uma criança e Lady MacDuff e dois tipos, certo?
Eu, tipo... "Mãe, mãe, eu acabei de interpretar um assassino hoje à noite e tu não viste nenhum problema nisso...”



12 comentários:

Theo.. disse...

Nunca vi esse primeiro, apesar de não ser o meu gênero favorito parece interessante e tmb pareceu-me que há gajos jeitosos :P O Save me parece mesmo muito bom, e a foto da capa põe-nos a pensar que a religião, que deveria nos salvar, acaba por servir realmente como um revolver que está engatilhado e pronto para atirar. Os gajos tmb são muito interessantes;) Atonement acredito que o filme seja bom porém não gosto de assistir esse tipo de filmes pq fico altamente irritado com as injustiças e mesmo tento terminado o filme ainda assim não consigo me convencer que é somente ficção. The Laramie Project Não quero assitir, não sei se consigo, só pela descrição que fizeste já começei a chorar e arrepio-me sempre que lembro do que lhe aconteceu, não tenho capacidade de digerir este facto, é demais para mim, essas coisas não se fazem nem com animais, fico sem palavras. Que ele esteja em paz...

Theo.. disse...

Com a barbárie como esta esqueci-me de contar uma novidade importante. A partir de Julho os Gaúchos estarão mais próximos de Portugal, teremos voos directos entre Lisboa e Porto Alegre :D

Rafeiro Perfumado disse...

Então e achas que eu te iria recomendar um filme que fosse menos do que fabuloso?!? Quase que estou ofendido! ;)

Abraço!

Teté disse...

Bom, dos três só vi "Expiação" que é um grande filme mesmo: considerei o melhor que vi em 2008 - infelizmente não fiz post, porque vários bloguistas já tinham falado do filme e achei que estava tudo dito. Não volta a acontecer! :)))

Esse primeiro tem alguns laivos de filme de terror: há alguma coisa pior que sairmos com uns amigos e voltarmos a casa para ver o nosso mundo em guerra? Sem se estar a par do porquê (presumo)? Mas se o apanhar por aí, vou ver se vejo. O mesmo se diga em relação ao último. Claro que ambos têm de ser vistos em dias em que esteja virada para assuntos sérios, o que nem sempre é o caso! Há dias em que não consigo aguentar ver filmes muito violentos, que me parece o caso de ambos!

De todos o que menos me interessa à partida será o da conversa entre os 4 rapazes. E certamente que terão muita razão em algumas das suas lutas, mas essa de problemas de envelhecimento sem descendência não é exclusivamente gay. Pior, nem é exclusivamente de envelhecimento com descendência, porque o que não faltam aí são idosos abandonados por filhos e netos ao Deus dará...

Beijocas e obrigada por mais estas dicas cinéfilas! :)

ψ Psimento ψ disse...

Theo: Pois eu acho que todos eles têm algo em comum que é serem extremamente violentos de uma forma ou de outra. Sim, o último é mesmo muito arrepiante.
Já tinhas comentado comigo isso da Tap ehehhe.

Rafeiro: De modo algum já estava mesmo a contar que fosse espectacular eheheh.

Teté: O Save Me não é sobre isso, essas ultimas coisas que refiro são os assuntos a que os actores se dedicam não aquilo que é retratado no filme. O filme é sobre as instituições de cura gay. Depois também não são 4 rapazes eheheh a Judith é uma Lady casada e já com um grande histórico na área da representação. Pessoalmente concordo com o que disseste sobre o abandono dos idosos, contudo eles trabalham activamente e instituições de acolhimento de idosos gays/lésbicas que não têm outros cuidadores. Importa referir que essas instituições não NEGAM a entrada a qualquer outra pessoa, infelizmente mesmo os idosos se recusam a ser acolhidos em “lares gays”…. Depois, por um lado acho que essas instituições podiam também não estar rotuladas com o nome “lar gay” para ser mais fácil de qualquer pessoa se inserir. No entanto estando classificado desta forma também dá mais segurança para alguém da comunidade em questão procurar apoio sem medo e se sentir perfeitamente integrado sabendo que certamente não será vitima de marginalização dos últimos anos da sua vida, podendo ser quem é.
Beijos :)

paulofski disse...

Estas quatro propostas que nos trazes dão de facto muito pano para mangas. Devo referir que não vi ainda nenhum deles, e não sendo propriamente os géneros de filme que mais aprecio, se numa tarde de chuva, daquelas sem a mínima hipótese de trocar o sofá pela bicla, assistiria de bom grado a qualquer um deles. No entanto parece-me a fabulosa proposta do Rafeiro a mais apelativa de todas (e isso não é para me livrar de uma dentada no calcanhar). :)

Abraço.

Teté disse...

Bom, pelos vistos percebi mal, pensava que a par das tais clínicas de "cura" ainda eram focadas as tais causas pelas quais eles lutam na vida real.

Quanto aos lares, percebo que possam existir esses tais "gay", precisamente para os idosos não se sentirem alvo de discriminação. Mas pela experiência que tenho não há muitos velhotes que queiram ir para um lar - antes pelo contrário, só vão quando não têm mais nenhuma hipótese, toda a desculpa serve para não irem, até inventam melhoras no seu estado de saúde. E depois vão os muitos senis ou com Ahlzheimer! E esses duvido que se apercebam se o lar é ou não de gays, vivem num mundo muito próprio, só deles, pouco lhes interessa o que se passa à sua volta... Quer dizer, esta é a experiência que tenho, podem existir casos diferentes...

Beijocas e obrigada pela chamada de atenção! :)

Blog Liker disse...

Não vi nenhum, mas o «Save me» chamou-me a atenção. Abraço!

ψ Psimento ψ disse...

Paulofski: De facto tem diversos assuntos relevantes nestes filmes. Sugiro qualquer um mas o que o rafeiro sugeriu também é o meu preferido destes 4, entretém mais apesar de “cultivar” menos… ;)

Teté: Olha que nem sempre. Pela realidade que conheço dos lares uma grande parte dos residentes estão plenamente conscientes do mundo à sua volta. E mesmo os que têm as doenças que referes, muitas vezes têm flashes de consciência.

Blog Liker: É muito bom, vê que não te arrependes.

Cumprimentos.

pinguim disse...

Vi o "Save Me" e gostei, claro; e vi o "The Laramie Project", que é fundamental para entender todo o drama do que se passou à volta daquele assassinato. Também vi o filme ficcionado, com base nos factos, com actores a representar os papéis principais, mas cujo nome não me recordo de momento.

Anónimo disse...

1º Atonement
2º Tomorrow, when the war began
3º Save me

Por ordem desde o k gosto mais ao k gosto menos:) Só me falta ver o "The Laramie Project" k tb me parece bastante interessante.

Bju kenga Baby

Anónimo disse...

1º Atonement
2º Tomorrow, when the war began
3º Save me

Por ordem desde o k gosto mais ao k gosto menos:) Só me falta ver o "The Laramie Project" k tb me parece bastante interessante.

Bju kenga Baby