domingo, 24 de outubro de 2010

Praxe

Sugiro a leitura deste post acompanhada por esta música. Façam-me lá a vontade e carreguem no play eheheh.













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Esta última semana tenho-me dedicado pouco ao Blog mas tem uma razão. A praxe já começou no início do ano mas, esta foi a semana oficial de recepção ao caloiro da minha faculdade. Como tal, para que os caloiros tivessem sempre alguém presente durante as actividades da semana, eu saía de casa bem cedo, por volta das 8h e chegava as 2/3 da manha. As aulas durante esta semana foram as mais penalizadas porque quase não apareci por lá como toda a gente faz nesta altura.
Claro que cheguei ao fim extremamente cansado e tive de gastar todo o fim-de-semana a por os trabalhos em dia, mas valeu a pena. A tradição académica é-me muito especial e ocupa um lugar importante na minha vida. Por isso, custa-me ouvir a comunicação social e outras pessoas que nunca viveram a experiência, mas acreditam-se no direito de criticar atirando a sua ignorância de quem está de fora e nada sabe…
Todos temos direito a ter opinião, no entanto, como em qualquer situação, ninguém deve ter o direito de criticar ou opinar sobre a forma de vida de outra pessoa adulta. É a decisão de cada um. Ninguém está na praxe obrigado, nem mesmo os caloiros. Se não querem não frequentam é tão simples quanto isto, não há qualquer consequência ou discriminação de relacionamento entre colegas. Simplesmente não podem nos próximos anos integrar os grupos de praxe e praxar os novos caloiros como é lógico, nem frequentar as actividades de praxe. Mas ninguém morre por isso, são opções que todos temos. De resto admito que em certas faculdades há abusos e situações inaceitáveis. Contudo, os caloiros têm vontade própria de dizer “basta” e abandonarem. Devem até reportar a situação de forma hierárquica e com certeza o Doutor que abusou será alertado.
Na minha faculdade nunca vi desses problemas, orgulhamo-nos de ter uma praxe divertida e virada para a brincadeira com diversas actividades. Evitamos praxes físicas e “secas” porque acreditamos que os caloiros têm de gostar de ser praxados. Claro que há momentos em que as coisas têm de ser levadas mais a sério e em que por vezes somos mais resmungões ou fazemos cara séria mas são “as regras do jogo” e há certos valores que queremos que eles aprendam para partilharem no ano seguinte.
Lembro-me do meu primeiro dia de caloiro. Estava reticente e até pouco motivado. Acho que na verdade esperava até o mínimo motivo para desistir. Contudo pouco tempo depois conheci as Kengas, a minha trupe, os Doutores e aquela que viria a ser a minha madrinha. O companheirismo com os meus colegas caloiros foi crescendo cada vez mais, acompanhado de momentos extremamente divertidos. Foi o melhor ano de praxe. O único ano em que podemos fazer figuras tristes e rir-nos de nós próprios sem ter ninguém de fora a pensar “olha que idiota”. Somos caloiros, tudo nos é permitido, somos o centro de atenções da faculdade inteira e as actividades SÃO FEITAS PARA NÓS!! E passou tão rápido, num minuto estava com o meu kit de caloiro a berrar o nome da minha faculdade, a cantar músicas idiotas, a fazer palhaçadas, a fazer saudações aos Doutores e tantas outras coisas e no minuto seguinte estava a passar a tribuna. Com as Kengas a meu lado, deixando a vida de caloiro definitivamente para trás enquanto nos abraçávamos em grande alegria e emotividade típica desta ocasião.
Depois os anos passaram, vários caloiros tomaram o nosso lugar e marcaram as nossas vidas na forma de grandes amizades que acredito se vão manter mesmo depois dos dias de faculdade. Depois aqueles especiais, que nos deixaram orgulhosos e babados quando nos pediram para sermos seus padrinhos. Conto 4 afilhados até ao momento (tirando uma caloira que já me pediu este ano), todos eles mereceram o seu lugar na minha “família” de praxe e são pessoas que integraram o meu grupo de amigos fora da faculdade.
No ano passado, depois de muitas praxes, saudações, baptismos, queimas, jantares, serenatas, noites negras, banhadas, rallys e aventuras, eu e as minhas Kengas passamos novamente a tribuna. Desta vez com uma cartola laranja na cabeça e um grande sentimento de orgulho no peito. Mais uma vez abraçamo-nos como no primeiro ano, emocionados com o final de uma etapa e a promessa de novas aventuras. Estou certo que tal como eu, todas elas sentiram aquela sensação de nostalgia quando vimos os caloiros desse ano a deixarem de o ser…
Este ano eu e algumas das Kengas temos o privilégio de poder continuar a acompanhar a praxe, afinal continuamos estudantes de faculdade mesmo no mestrado. Na nossa faculdade somos centenas de alunos portanto na praxe os caloiros são divididos aleatoriamente por vários grupos que se chamam trupes e são constituídas pelos Doutores e Veteranos com que nos damos melhor na praxe. Os caloiros que nos foram atribuídos, ficam connosco para o resto do ano e nos anos seguintes são convidados a permanecer na trupe como Doutores. A nossa função, além de os praxar, é acompanhamo-los em todas as actividades e eles têm de fazer com que a nossa trupe, a PSICODESPORTINTUS, seja a melhor da faculdade. Além de mais têm um grupo de colegas mais experientes sempre dispostos a auxilia-los em qualquer situação da faculdade ou mesmo de fora.
Inicialmente achava que os caloiros deste ano eram muito “chocos” mas eles ganharam garra e são sem dúvida um dos melhores grupos que eu já vi. A nossa trupe, também tem dado que falar este ano já que começamos com cerca de 25 caloiros e já temos mais de 50. Muitos fugidos de outras trupes, em busca de uma que gostem, acabaram por ficar. E isso, deixa-nos contentes pelo nosso trabalho. O ano ainda vai no início mas, confesso que estou muito expectante. Na próxima semana há mais algumas actividades, e quando poder ponho cá um vídeo engraçado que filmamos ;)

Entretanto deixo uma foto deste ano com alguns elementos do nosso grupo, nesta altura ainda éramos pouquinhos e faltam muitos Doutores e caloiros da nossa trupe, quando tiver uma melhor também mostro.

14 comentários:

Mike disse...

Também já fui caloiro e fui bem praxado. No ano em que iniciei o meu curso era a primeira vez que havia esse curso na escola. Como não tínhamos veteranos do nosso curso foi a Associação de Estudantes e mais alguns veteranos de outros cursos,que de certa forma foram os nosso veteranos. E se fui praxado. Mas sempre o aceitei, e foi assim que nos era transmitido, que a praxe era uma forma de integração com os restantes, e uma forma de convívio e boas vindas àquela escola.
Abusos sempre existiram, praxes estúpidas e maldosas também, mas desde que sanadas a tempo, esquecia-se depressa.
Tenho pena também que certa comunicação social, quando se trata de praxes, apenas mostre aquilo que corre mal e a parte negativa das praxes provocada por uma mão cheia de elementos, mas que não é a regra.
Nos anos seguintes praxei e fiz parte várias vezes de uma comissão de praxe. Tentei dar aos caloiros o mesmo "tratamento" que me deram a mim e acolher e integrar os novos caloiros.
EFERREÁ! :-)
Abraço.

Theo.. disse...

É mesmo engraçado para nós americanos toda essa vossa festa, para nós é tão diferente, temos algo parecido com a praxe que chamamos de trote porém só participam os que iniciaram, é claro, e os que estão no 2º semestre, nós que andamos pelo meio do caminho ficamos de fora. Também não se pode fazer grandes coisas já que muito foi proibido pq andavam a abusar dos bixos (caloiros). No final tmb é diferente não vamos passar em frente a tribuna, tudo é feito em 3 dias sendo que no primeiro há um culto ecuménico, no 2º vai todo mundo vestindo seu traje (aquele dos filmes americanos, com aquele chapeuzinho quadrado vou pedir ao Psi pra fazer um post com comparações)nesse dia ganhamos das mãos do reitor nosso diploma (canudo) e fazemos nosso juramento, há muito choro e homenagens, depois disso normalmente é oferecido um jantar aos parentes e amigos e muito colegas se reúnem para fazer juntos. No 3º dia há um baile. É isso tenho pena do Psi ficar longe disso quando vier viver no Brasil porém sempre podemos dar um pulinho a Portugal nessa época.

K. Baby disse...

Bem...compreendo perfeitamente a tua relutância quanto ás pessoinhas que se põem a julgar e criticar a praxe vista de fora:p Felizmente que na nossa faculdade é tudo muito positivo,e ninguém é obrigado a nada :D

Espero que as faculdades que praticam um outro tipo de praxe, tenham o cuidado de a "suavizar" porque senão muita gente irá desistir de ser caloiro só por causa dos boatos!

Bora pá "carreira do caloiro" :D

paulofski disse...

Todos os anos, aqui bem perto, passo pelo meio de grupos de praxes universitárias e acho mesmo muito interessante todo este movimento de saudável convívio na recepção e acompanhamento do caloiro pelos mais velhos. Só lamento dizer que também já assisti a situações degradantes, nas ruas e praças, e que não me pareceram dignas de jovens que suponha inteligentes. Em tudo na vida temos de ter sentido de humor mas algumas brincadeiras de dignificantes não têm nada, apenas apelam para a estupidez e burrice dos empreendedores. Deve-se viver com alegria mas actuar em responsabilidade.

Abraço

ψ Psimento ψ disse...

paulofski: Essas são a excepção, não a regra...

Teté disse...

Olha, certamente haverá praxes engraçadas e outras que o são menos. Só discordo que não tenhamos direito a dar a nossa opinião sobre algumas delas, em que a maturidade não abunda. Assim, tal como em tempos te disse, a história da "ronda das tascas", em que os caloiros têm de beber um bebida em cada uma delas, que pelo menos num caso que conheço valeu um coma alcoólico a uma estudante. Claro que são excepções, mas os médicos queixam-se que há um aumento desses casos na semana do caloiro. Que maturidade é essa?

Por outro lado, tanto a minha sobrinha como o meu filho já foram praxados, nada de muito especial, até acharam piada. Mas a verdade é que de vez em quando aparece um fulano mais prepotente e castigador e a brincadeira deixa de ter graça. Assisti a isso na minha própria faculdade, em que de início a praxe era levezinha, mas nos últimos anos os alunos eram recebidos ao "calduço", que às vezes se transformava em chapadão e gerava confusões. E estar a desferrar frustrações próprias na cabeça dos novos alunos é um espectáculo de causar dó. Dos agressores, não dos caloiros, que não têm culpa nenhuma.

Beijocas!

So disse...

Adorei o post, sabes que partilho contigo o amor pela praxe e por isso eh que tb estou smp la de manhazinha a morrer de sono... inicialmente tb n achava grande piada ate ter entrado no espírito e ter sido praxada...apesar disso, e de ter adorado o meu ano de caloira, nao escondo que prefiro ser doutora, e gosto mais de praxar, apesar de ser por vezes mazinha e resingona, acho que em praxe sou mt disponivel e tento fazer tudo para que esteja tudo nos trinkes =) senti realmente uma grande nostalgia tanto no momento em que passei a tribuna como quando vi os nossos caloirinhos a passar, principalmente o meu afilhado claro, e os teus que tb tenho mt carinho... para mim foram os nossos primeiros caloiros, ate pk kd fui segundo anista os que apanhei nesse ano nao me davam a pica e a vontade que estes dao... assim vale a pena, eles daonos gosto e nos a eles, e assim se criam grandes laços e grandes diversões... agr venha a carreira, e os jantares da melhor trupe de que mt me orgulho de fazer parte e ser sub.chefe ao teu lado =)

So disse...

ahhhh, vou crer akele post das comparações que o theo falou...acho a cerimonia deles lindissima =) vamos no minimo querer um filmes, senhor farmacêutico =)

Speedy disse...

Acho que a altura das praxes foi o único momento académico que fiz questão de participar. Fui praxado quatro vezes, porque procurava-os. Depois passou-me...

pinguim disse...

Na altura em que fui caloiro, há já muitos anos, não havia praxe aqui nas diversas universidades de Lisboa; na mina, o ISCEF, mais conhecido por Económicas, ao Quelhas, havia uma semana de recepção ao caloiro, com actividades culturais (recordo que nesse ano, uma delas foi uma sessão de poesia com Maria Barroso), e finalizava com o julgamento do caloiro, sempre voluntário, que por acaso, nesse ano era um conterrâneo e grande amigo meu, que mais tarde seguiu a carreira diplomática e chegou a ser o embaixador em Madrid.
Nunca fui praxado e nunca praxei.
Daí, um certo desconforto em relação às praxes, que, pese embora, aceite como medidas de integração, acabo por não aceitar pelos muitos casos de violência física e psicológica que existem; já vi com os meus próprios olhos, cenas perfeitamente feias e mesmo, nalguns casos, inócuas para os praxados, mas sempre humilhantes,na minha maneira de ver.
Seria difícil aceitar ser praxado, se fosse o caso, não por medo, mas porque considero que a humilhação a que as pessoas se sujeitam, pode ser evitada, se não houvessem praxes e com formas de integração diferentes.
Peço desculpa, mas é a minha opinião.
Abraço.

ψ Psimento ψ disse...

Pinguim: Preferi responder-te por mensagem privada pelo facebook. Da proxima vez que nos virmos teremos esta conversa pessoalmente. ;)

Rafeiro Perfumado disse...

É tudo uma questão de bom senso e saber brincar e saber "encaixar" as brincadeiras. Lembro-me que a minha praxe foi divertida, até ao momento em que um veterano disse que me iam cortar o cabelo. Disse-lhe que podiam tentar, e certamente conseguiriam, mas o primeiro a aproximar-se ficava com o nariz para dentro. Felizmente ficou por ali.

Abraço!

dois coelhos disse...

Na generalidade concordo com as praxes, enquanto meio de recepção e integração dos novos estudantes. Fui muito bem praxado, e alguns dos que me praxaram são actualmente dos meus melhores amigos. Também fiz parte da comissão de praxe, com muito orgulho, e três caloiras vieram-me bater à porta.
Infelizmente, acho que há muitas pessoas que não percebem o verdadeiro espirito, e aproveitam o momento para manifestarem traumas e sede de poder. É uma pena que assim seja, esses são os principais responsáveis pela conotação que a praxe hoje tem na comunicação social.

Myke disse...

As praxes. Velhos tempos!
Por motivos profissionais nunca consegui estar presente a 100% nas praxes. O trabalho durante o dia e a universidade à noite! Fiz questão de estender as praxes para o regime nocturno (que foi muito aplaudida pelos meus colega), ser praxado e praxar- foi com muito gosto.
Marquei presença na Federação Académica, na comissão de praxes e ainda consegui representar todos os alunos do meu curso, durante um ano, junto da direcção!
Depois, as exigências profissionais obrigaram-me a escolher. O profissional veio em primeiro lugar.
Hoje recordo com alegria os bons momentos de vida académica.
Saudações académicas.